17 outubro 2007

horas




só estas horas
me tocam de infinito

o tempo
parado na fenda dos dias

a voz
subindo a rebeldia do corpo

somos água
transbordamos de silêncio

no desassossego
no caos da raiz que nos inventa

infimamente
divisamos o mundo

e escolhemos
o melhor abismo

tu és
a minha escarpa

o segundo
que me demora

o cair
nas estrelas

não te esfumes
não pereças

nos urbanos
jardins

que me sufocaram
o sonho

sustenta o canto
que me chama

até ti
como uma corrente

e deixa-te
fundir no éter

como se uma luz
nos escrevesse o nome

numa impossível
escuridão





gil t. sousa
poemas
2001






3 comentários:

Anónimo disse...

É bom ler-te.

Isabel

magnohlia disse...

Belíssimo, delicado, sensível.

Suzanna disse...

Tão belo, tão leve, tão digno do nosso tempo, das nossas horas...