nas nádegas e
o crucifixo saltando no pescoço com a negra mão de talismã
buscando o brinquedo na vitrina
já contemplado.
Ela, a infância, bordando com dedal
botões de rosa em vez do cardo da minha lapela.
Ela deixada ao acaso
Na borda do velho tanque de água
que a rã tomba.
Ela permanece correndo pelo peão sonoro
e pelo cão metálico como a alma
das mães a quem Cristo deu a mantilha para assoar o ranho da placenta.
no homem de idade que lhe guardava o voo. Fez pena, agarrava os ossos, porque já mal os
seus olhos cegos me seguiam a bater. É assim. Porquê, interrogou-se. É tão evidente.
Lou, je parle une langue morte, maintenat que je ne
parle plus.
Henri Michaux
trazia comigo um ramo seco, a voz
manchada pelo cipreste a uma janela,
a que acolheu a cor da pele, que teve e tem
a cera de uma
morta cedo de mais.
Posso dizer agora? (Lasciatemi morire, diz Monteverdi.)
josé emílio-nelson
hífen 11 maio 1998
o sítio das nascentes
cadernos semestrais de poesia
1998
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