09 maio 2007

alma simétrica




faremos um pacto
alma simétrica
jamais vista em
qualquer horizonte

selaremos o pacto
com a linfa em que se banham
os nossos sentimentos
eriçados de tremendas
hesitações

guardaremos o pacto
no cofre mágico
das coisas verdadeiras
das coisas desejadas
na nossa decrepitude

esqueceremos o cofre
o pacto
as coisas verdadeiras
desejadas
nos limbos
das perdições

encheremos de ouro
os ramos
desfolhados das
árvores sem raízes
das árvores esvaziadas
da volátil seiva
do frágil fio
de prata
que une as coisas
desunidas

faremos uma cúpula
de águas
em sinfonias
transparentes
e luzes de palcos
habitados

seremos
os construtores das nossas
harmonias
os pais dos imanentes
regatos
da nossa hidrografia

novos deuses seremos
minha alma simétrica








m.f.s.

2 comentários:

lena disse...

belo!

que poderei dizer a quem escreve tão bem?


onde anda o teu livro? já vai sendo tempo menina linda

saudades muitas de tantos momentos partilhados juntas no poesia


a ti Gil os meus parabéns, pelas escolhas, o teu bom gosto saliente em tudo quanto tocas

abraço-te meu amigo

lena

Poeta ou não? disse...

Excelente poema, os meus parabens, trabalhos como esse fazem-me ficar envergonhado ....mas de qualquer das formas quero partilhar o meu trabalho com quem gosta de ler e escrever.
http://poetaounao.blogspot.com/