Mostrar mensagens com a etiqueta luís falcão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta luís falcão. Mostrar todas as mensagens

14 maio 2026

luís falcão / o táxi à espera

 


 

 
O táxi à espera
acendendo e desligando os faróis
depois das sebes de azevinho
o cão impondo-se num latido
impregnado de queixumes
a mala aberta, o nó da gravata
ainda por fazer
optas pela simetria perfeita
pelo equilíbrio elegante do hanôver
selando
numa indiferença discreta
a tua queda no esquecimento
 
 
 
luís falcão
bruma luminosíssima
artefacto
2016



17 janeiro 2020

luís falcão / o clarão dos gritos



O clarão dos gritos
rasurando
nos seus próprios fundamentos
a matéria luminosa
que se insinua nos limites do silêncio
acendendo
na quietude de uma ordem imprescritível
a devastação
daqueles que pensavam vir apenas por uma noite



luís falcão
bruma luminosíssima
artefacto
2016







05 setembro 2019

luís falcão / envelhecemos avaliando perdas



Envelhecemos avaliando perdas
corroídos pela solidão e pelo medo
tocamo-nos, retemo-nos
como azáleas doentes
cujas ossos
escuríssimos e inacessíveis
procuram uma aliança de fogo branco



luís falcão
bruma luminosíssima
artefacto
2016










08 julho 2019

luís falcão / no dia em que a essência sagrada




No dia em que a essência sagrada
das coisas se quebra
olhas a chuva nas flores das magnólias
e a morte
principia sobre ti o seu trabalho




luís falcão
bruma luminosíssima
artefacto
2016







28 setembro 2018

luís falcão / a casa fechando-se




A casa fechando-se
sobre a vastidão da infância
infiltrações e humidades
entranhando-se
no tempo que te resta
a um canto
a correspondência interrompida
pressupostos inadiáveis
amontoando-se
sob o pulsar irredutível
de uma exigência de infinito



luís falcão
bruma luminosíssima
artefacto
2016