Mostrar mensagens com a etiqueta luís carlos patraquim. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta luís carlos patraquim. Mostrar todas as mensagens

13 maio 2026

luís carlos patraquim / por te haver, de acesa cinza

 



 

 
Por te haver, de acesa cinza
a eléctrica luz sou
e a sombra dela.
este pendor a renúncia
do que a outros distrai
é quanto amas?
Respiramos. Em tua pele
é que singro, rasgado
grito em quilha
na areia do mundo.
 
 
 
luís carlos patraquim
morada nómada
poesia 1980-1920
língua morta
2020
 


19 junho 2022

luís carlos patraquim / reminiscência

 
 
às vezes o exílio
é uma árvore aberta
na imponderável noite
 
e nada espreita
a estrada larga
fonte do olhar
 
principia como um homem
multidões ao vento
a terra exangue
o grito arável
 
 
luís carlos patraquim
morada nómada
poesia 1980-1920
língua morta
2020




 

22 agosto 2020

luís carlos patraquim / sentam-se sob as acácias no asfalto roto




Sentam-se sob as acácias no asfalto roto
os mutilados com cigarros de embalar
Nenhum som os recorta.
E todos os sentidos foram amputados.
Nem para a tarde crescem frustrados.
Esperam. Que inconclusa forma
os limita em fórmula de serração?
Que ameaça os delira? Nenhuma flor
explode, poeta, no coração?
Os mutilados sonharão? Suas pernas?
O desejo, fruto podre adubando. Outra mão?
Que triste palavra os baba
no cigarro morto! Vendem.
Nenhum incesto os estanca.
À revelia do sol, os mutilados
montam banca.



luís carlos patraquim
morada nómada
língua morta
2020