07 junho 2011

fiama hasse pais brandão / da radioterapia

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A mais radical solidão,
eu, com todo o meu corpo apenas,
pela primeira vez. Eu, que sempre
levava comigo somente os olhos, primeiro,
depois, o ouvido e o tacto. Ali,
naquela câmara do absoluto, do vazio,
do amplo – amplidão que multiplicava o vazio,
atenta enfim, a um cheiro ácido,
do grande Universo invisível.
 



fiama hasse pais brandão
as fábulas
quasi
2002
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1 comentário:

Graça C. Santos disse...

Este poema da Fiama é belíssimo, mas faz-me sempre sentir como se estivesse morta e viva dentro de um daqueles gavetões por onde inevitavelmente todos iremos passar antes de baixarmos à terra a caminho do infinito. Belo e triste.