02 setembro 2005

quatro estações #crónicas de verão

ESCATOLOGIA POÉTICA DOS ATROFIOS


1.


Uma questão menor
Nada de pessoal
Um acesso de furor --

Ausência
Falta

Tudo se destrói;
O círculo degenerou em espiral

Faltam ideias
Falta vontade

Respirar é um caos

Nada é verdade,
Só a sua falta.

E o comboio do ódio afasta-se em silêncio

E eu parado
Parado, atafulhado em cigarros
Cigarros e mais cigarros --

Paralisia infernal de desgosto e raiva e morte

(Arrependimento não?)

Lágrimas
Solitárias
Um telefone
Desligado
E mais cigarros

Mais dúvidas
Onde a esperança ainda vive
Falta rogar a Deus,
Só rogar a Deus.

Lá longe, o comboio do ódio rasga planícies cinzentas de indiferença e
morte.


j-




2 comentários:

flopes disse...

o poema esta muito.
gostava de fazer uma referência ao heterónimo de Fernando Pessoa.

Barrow-On-Furness


"Sou vil, sou reles, como toda a gente,
não tenho ideais, mas não os tem ninguém.
Quem diz que os tem é como eu, mas mente.
Quem diz que busca é porque não os tem."

Delacroix disse...

A través de la maleza,

la senda desciende sin pesar.

Hasta el abismo.