Desprende-te,
coração, da árvore do tempo,
soltai-vos, folhas, dos ramos esfriados,
outrora abraçados pelo sol,
soltai-vos como lágrimas de olhos largos de longes.
Esvoaça ainda a
madeixa dias inteiros ao vento
na fronte tisnada do deus do campo,
sob a camisa aperta o punho
já a ferida aberta.
Por isso
resiste, quando o dorso macio das nuvens
voltar a curvar-se para ti,
não te iludas se o Himeto te encher
de novo os favos.
De pouco vale
ao lavrador uma erva na seca,
de pouco um verão, face à nossa grande estirpe.
E que testemunha
afinal o teu coração?
Entre ontem e amanhã balança,
silencioso e estranho,
e o seu bater
é já a sua queda para fora do tempo.
ingeborg bachmann
o tempo aprazado
trad. judite berkemeier e joão barrento
assírio & alvim
1992
soltai-vos, folhas, dos ramos esfriados,
outrora abraçados pelo sol,
soltai-vos como lágrimas de olhos largos de longes.
na fronte tisnada do deus do campo,
sob a camisa aperta o punho
já a ferida aberta.
voltar a curvar-se para ti,
não te iludas se o Himeto te encher
de novo os favos.
de pouco um verão, face à nossa grande estirpe.
Entre ontem e amanhã balança,
silencioso e estranho,
e o seu bater
é já a sua queda para fora do tempo.
o tempo aprazado
trad. judite berkemeier e joão barrento
assírio & alvim
1992

Sem comentários:
Enviar um comentário