[…]
O ar que,
dentro dos pulmões, circula
altera-se. É o mesmo
das imagens,
denso; as
árvores, o ferro, o seu vapor
de enxofre: os
dias mortos – de atenção
e gasto
perceptivo. E onde pôr,
agora, a exacta
dimensão? Na mão
cremada, no
fogo imensurável?
Medir-se com
imagens, breves
desvios da
matéria? A régua jaz
sobre a
madeira, a cama, outras mobílias
inexactas à
vista – todo o real
oscila no seu
leito. Ou haverá,
porém, outro
rigor: visível, táctil,
um rasto de paisagem,
de sentidos?
então, já póstumo
e alheio,
o que descreve,
neutro, ainda brilha.
nuno guimarães
rosa do mundo 2001 poemas para o futuro
assírio &
alvim
2001