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22 maio 2020

maria teresa horta / dias de agrura


capa: gil maia


Não sei o que mais
custa
nestes fins de tarde

de doença e mágoa

Se o animal do medo
que pé ante pé
nos tenta entrar em casa

se este silêncio imenso
que ao chegar da rua
aflige e atordoa

Nesta cidade triste
em que
se tornou Lisboa



maria teresa horta
nervo/8 janeiro/agosto 2020
colectivo de poesia
2020







05 janeiro 2020

maria teresa horta / mãe



mãe
terminou o tempo
de sorrir
desculpa-me a morte
das plantas

tatuei a tua antiga
imagem loura
em todos os pulsos
que anjos inclinam
de existires

perdi-me noite na planície
branca
sobrevivente das madrugadas
da memória

trocaram-me os dias
e as ruas de ancas
verticais
e nas minhas mãos incompletas
trouxe-te
um naufrágio de flores
cansadas
e o único jardim d´amor
que cultivei
de navios ancorados
ao espaço


maria teresa horta
espelho inicial
1960





14 março 2014

maria teresa horta / à tua espera



Tranquila e serena
a nossa casa
nos quatro cantos
o sol do meio-dia

à tua espera alegre
e descansada
injecto-me de amor às
escondidas

Sobre a garganta passo
os dedos espessos
e a roupa uma a uma
vai caindo

para que então amor
com os teus dedos
quando vieres me vás
depois vestindo



maria teresa horta
candelabro
1964



05 dezembro 2013

maria teresa horta / despedida



Amor mais do que
amor
vontade ou rasto

ainda mais que vício
espanto ou morte

tão cedo suicídio
ou o teu corpo

amor mais do que
dor
prazer ou tacto

  
maria teresa horta
amor habitado
1963



19 novembro 2013

maria teresa horta / inquietação



exijo-me inquieta
de sol
a intransigência
de qualquer cidade
penetrou-me
bastarda de mim mesma

igualdade repleta
de pesadelos
infinitamente brancos
o arrepio das árvores
nos ombros dos profetas

noites incompletas
onde me exijo
urgência


maria teresa horta
poesia 61
1961