(1931)
Sábado, 18 de Abril
Saumur, frio e chuva, embora com vislumbres de luz. o Loire – vasto,
sem um único barco. Muito vazia a França. O hotel era melhor, a água mais
quente. As mulheres disseram que estavam a usar vestidos de algodão – tempo incerto.
Vimos a grande igreja redonda junto ao rio. Um mercado. Partimos; esquecendo-nos
da mudança da hora. Manhã péssima. Fomos a Fontevrault. Vimos a velha igreja
despida do velho convento. Não tire o chapéu, disse o homem. Não está
consagrada. Os túmulos dos Plantagenetas: como Edith Sitwell: direitos,
estreitados lado a lado: repintados, azul e vermelho. Agora todo este grande
convento, onde as filles de France foram educadas, é uma prisão. Sinos da
prisão tocando para o jantar. Fontes onde as raparigas se lavavam para o
jantar. O frio deve ter sido pior nesse tempo. as abadesas faziam-se retratar
em frescos – rostos gordos, sensuais, de grandes narizes.
Prosseguimos à chuva pelo país: estradas estreitas e amarelas: velhas
sentadas nos campos debaixo de guarda-chuvas junto das ovelhas. Bíblico. Parado
no tempo. almoço em Thouars: a comida ainda não é melhor do que a comida nas
estalagens de Inglaterra, diz o L.
virgínia woolf
diários
trad. jorge vaz de carvalho
relógio d´água
2018
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