25 janeiro 2022

raymond queneau / sonho

 
 
 
Parecia-me que estava tudo enevoado e nacarado à minha volta, com presenças múltiplas e indistintas, entre as quais, no entanto, apenas se desenhava com bastante nitidez a figura de um homem jovem cujo pescoço demasiado longo parecia, por si só, anunciar o carácter simultaneamente cobarde e refilão da personagem. A fita do chapéu tinha sido substituída por uma guita entrançada. Discutia depois com um indivíduo que eu não via; a seguir, como que amedrontado, lançava-se na sombra de um corredor.
 
Uma outra parte do sonho mostra-mo a caminhar com o sol a pino, em frente da estação de Saint-Lazare. Está com um companheiro que lhe diz: “Devias mandar acrescentar um botão ao teu sobretudo.”
 
Nesse momento, acordei.
 
 
 
raymond queneau
exercícios de estilo
tradução colectiva
edições colibri
2000




 
 
 

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